
No último texto que escrevi sobre o assunto recebi inúmeros comentários contra e a favor, o que faz parte de um processo democrático, porém o que me chamou a atenção foram algumas insinuações sobre o fim justificar os meios.
Primeiramente vamos deixar claro que a analise a respeito da arena para a Copa do Mundo foge das questões clubísticas. Para quem acompanha meus textos nos últimos anos sabe que sempre fui contra a realização da Copa do Mundo no Brasil, não só para evitarmos o que estamos vendo, mas que também sempre fui, e me mantenho assim, contra o uso de dinheiro público para a construção e/ou reforma de qualquer estádio particular e, mesmo o público, sugiro analises mais profundas sobre os impactos financeiros deste investimento e seu possível retorno.
Sugiro aqui a leitura de alguns posts mais antigos a respeito do assunto:
As verdades por trás das muitas mentiras que a FIFA conta
Non ducor, duco
A FIFA erra nas exigências para os estádios brasileiros
No caso especifico do Estádio do Corinthians as criticas feitas não são ao projeto, até porque o mesmo não foi apresentado a ninguém (o que impossibilitada qualquer analise séria sobre a dimensão dos impactos da obra), mas a maneira como a CBF rapidamente deu seu aval sem ao menos ter olhado o tal projeto. Isso deixou claro, para todos, que a questão do estádio é muito mais uma questão política do que técnica e, com isso acontecendo, é evidente que a cidade, na verdade todas que irão ser sedes de jogos, irá amargar prejuízos por anos a fio depois que a Copa se for.
Com isso em mente podemos tentar avaliar se a escolha de Itaquera para receber tal arena é uma escolha certa. Aqui, mais uma vez, podemos criticar a transparência da decisão já que não foi apresentado nenhum projeto de viabilidade econômica da construção do estádio nessa região. Com ou sem investimentos públicos diretos na construção do estádio é importante, ao menos para os corintianos deveria ser, saber se o estádio será rentável ou não. A razão para essa preocupação é simples: um estádio que não seja rentável, ou seja, que dá prejuízo irá “sugar” dinheiro do clube para sua manutenção ao invés de dar dinheiro ao clube para investimentos.
Começamos pela infraestrutura pública para receber os jogos. Itaquera é uma região que carece de investimentos em transportes públicos, assim como boa parte da cidade de São Paulo, porém nos últimos três anos a cidade se preparou para fazer tais investimentos nos arredores do Morumbi. Por questões políticas estão sendo jogados fora três anos de investimentos (sim, eles já começaram a ser feitos) e, faltando três anos para a entrega de tudo, a cidade terá que repensar toda a questão devido à mudança de local. No mínimo mais um prejuízo para o bolso dos paulistanos.
Outra questão a ser levantada é se Itaquera tem capacidade para receber esse estádio? Existem hotéis, bares, restaurantes entre outras coisas nas proximidades que ajudem a receber os torcedores? E esses torcedores foram pesquisados para saber se estão dispostos a se deslocar até Itaquera para assistir aos jogos do seu time de coração? E se estiveram, estão dispostos a pagar quanto para isso?
Para muitos um estudo de viabilidade pode parecer um luxo, mas ele é essencial para evitar erros como o do Engenhão, por exemplo. Se tivesse sido feito um estudo antes de se construir um estádio como o Engenhão tão afastado da cidade tenho certeza de que o mesmo não teria sido construído onde foi e hoje seria muito mais rentável ao Botafogo do que o é.
Para aqueles que acreditam que estádio sempre da lucro sugiro que pesquisem sobre as arenas construídas para a Euro em Portugal, as do Holanda e até alguns estádios para a Copa da Alemanha.
O ponto mais positivo desta história é que, ao menos, o estádio do Corinthians me parece que está sendo pensado para o Corinthians e não para a Copa e isso diminui as chances de problemas pós Copa, mas não elimina eventuais dores de cabeça.
Hoje se inicia um novo século a ser vivido por esta agremiação que é, sem dúvida, uma das maiores do Brasil. O anúncio de uma casa, um complexo estruturado é mais do que bem-vindo, mas o fim não pode, nunca, justificar os meios e por isso todos, principalmente os corintianos de corpo e alma, devem estar atentos aos próximos três anos.
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